O que significa o laço de quebra-cabeça?



O laço de quebra-cabeça foi adotado em 1999 como um símbolo para a conscientização do autismo. No entanto, esta imagem é uma marca registrada da Autism Society, mas a organização tem permitido que outras instituições ou comunidades usem-na, sem objetivos financeiros, a fim de demonstrar a unidade e conscientizar sobre a síndrome.



O padrão de quebra-cabeça reflete a complexidade do espectro autista, enquanto as diferentes cores e formas representam a diversidade dos indivíduos e famílias que vivem diariamente com este transtorno. As cores vibrantes são para chamar a atenção e criar uma maior sensibilização do autismo.



Até à data, a fita de quebra-cabeça é o símbolo mais antigo e é reconhecido nas comunidades de autismo em todo o mundo; todavia, o significado e o escopo desta variam muito.

  Alguns bottons com a peça de quebra-cabeça ou de laços.



A Autism Society pediu a um grupo de pessoas o que significa para eles o laço; e estes são alguns dos resultados:


  • Não estou sozinho(a).
  • Faço parte do quebra-cabeça da vida.
  • Unidade. Que apesar de que tanto eles quanto nós somos diferentes, trabalhando em conjunto, podemos proporcionar-lhes uma melhor qualidade de vida.
  • Serve para gerar respeito e tolerância entre todos.
  • Que o autismo não é bom ou ruim, é simplesmente outro tipo e estilo de vida.
  • Além de sermos diferente, somos úteis e pertencemos a algum lugar.
  • Não estou só e, apesar da condição de autista, sou único.
  • Tenho orgulho de ser autista/Tenho orgulho de conhecer alguém com autismo.


Da mesma forma, a peça de quebra-cabeças é usada em muitas instituições de autismo porque, até o dia de hoje não conhecem 100% as causas desta condição e somente se tem uma pequena percentagem de "mapa" identificado do transtorno; também que não há duas pessoas com autismo que são exatamente iguais. É por isso que a peça representa todo um quebra-cabeça que até agora seguimos montando, procurando [as peças] que faltam.



Por outro lado, há muita gente que não se sente identificada nem com o símbolo de quebra-cabeça nem com a fita.


 “Sou uma pessoa, não um quebra-cabeça."

 Argumentam que uma peça do quebra-cabeça pode significar que você é confuso(a) ou incompleto(a). Se bem que estes símbolos e cores foram criados com significados positivos, com o passar dos anos, muitos têm tomado outras mensagens:


  • Meu filho não está incompleto.
  • A cor azul reflete a tristeza, depressão, desespero; não me agrada.
  • Não me faz sentir esperança, compreendido ou especial. Uma peça de quebra-cabeça faz-me sentir só, perdido e não o sou.
  • Não somos uma peça, não falta nada. Não encaixamos, mas podemos falar por nós mesmos.


Outras instituições, nos Estados Unidos, usam outros símbolos para ilustrar seus logotipos institucionais, para citar alguns:


  • Borboletas
  • Infinitos
  • Fitas com estrelas de arco-íris
  • Hexágonos


Na CLIMA (Clinica Mexicana De Autismo) optamos por escolher a silhueta de uma criança, porque o autismo é um distúrbio que pode ser detectado na mais tenra idade (um ano, ou um ano e meio). Também adotamos a mundialmente aceita cor azul e adicionamos o laranja para torná-la vibrante, para chamar a atenção, gerar curiosidade e, assim, gerar consciência.



Para vocês, o que significa a peça de quebra-cabeça ou fita? Ou o que acha das cores? Não se esqueça de deixar-nos seus comentários, queremos saber a opinião de vocês.


Fonte: CLINICA MEXICANA DE AUTISMO. ¿Qué significa el lazo de rompecabezas? Disponível em https://clinicamexicanadeautismo.wordpress.com/2016/06/29/que-significa-el-lazo-de-rompecabezas/ (acesso em 01 de abril de 2017)

Ritmo de adolescentes

Fonte: http://www.photophoto.cn
Se os pais percebem que o adolescente autista, mesmo no nível mais leve do transtorno, apresenta dificuldades de fazer amizade expor opiniões e falar em público, prefere ficar em casa, ou se sente aflito quando tem de ir para um ambiente em que não conhece ninguém, o importante é respeitar. “A pior coisa para um autista é se sentir violado, ser forçado a viver situações de exposição, com a justificativa de superar suas limitações”, acrescenta o profissional [o psiquiatra Estevão Vadasz].

O comportamento mais isolado é natural em todos os adolescentes, sejam eles autistas ou não, porque essa é uma fase de descobertas, conflitos e insegurança. Para o autista é um pouco mais complicado, porque, além do esforço para vencer suas limitações próprias, ele precisa saber lidar com todas as emoções atreladas à maturidade. Esses sentimentos podem se agravar com o despertar do interesse pelo sexo oposto. No entanto, se o autista encontrar uma pessoa que aceite esse tipo de relação, eventualmente uma garota ou um rapaz que também tenha dificuldades afetivas, a relação se mantém. Cerca d 5% dos autistas conseguem estabelecer um relacionamento bastante satisfatório.

De acordo com o psiquiatra, a melhor alternativa para lidar com essa nova situação é o tratamento com orientação de um profissional e convívio com pessoas da mesma idade, que estão passando pelos mesmos desafios e angústias. “A convivência com outros jovens e a possibilidade de desenvolver sua identidade social dentro de um grupo escolhido auxiliarão o adolescente a lidar com os conflitos advindos dessa nova e, muitas vezes, longa fase”.

Fonte: Autismo – Guia minha saúde especial. Ed. 05, ano 01. Instituto Brasileiro de Cultura. São Paulo: On line Editora. p. 62. Disponível em https://books.google.com.br/books?id=RIGiDAAAQBAJ&printsec=frontcover&hl=pt-BR&source=gbs_ge_summary_r&cad=0#v=onepage&q&f=false (acesso em 19 de novembro de 2016)

Colapsos em adultos com autismo de alto funcionamento

Fonte: http://genius.com/
Pode um adulto com Asperger ou autismo de alto funcionamento ter um colapso como uma criança com a mesma síndrome? 

A resposta é "sim" -, mas no adulto colapso e o comportamento parece um pouco diferente do que a de uma criança. Sob estresse suficientemente grave, qualquer indivíduo normalmente calmo e pode tornar-se "fora de controle" - até a ponto de violência. Mas alguns indivíduos experimentam colapsos (meltdowns) repetidos em que tensão aumenta até que haja uma liberação explosiva. A versão adulta de um colapso pode incluir qualquer um dos seguintes (só para citar alguns):

  • comportamento agressivo em que o indivíduo reage grosseiramente fora de proporção com a circunstância
  • explosões de raiva que envolvem jogando ou quebrando objetos 
  • batendo com a cabeça
  • choro
  • violência doméstica
  • andando para trás e para frente
  • abandonar o seu trabalho
  • raiva da vida
  • falar sozinho
  • outras situações ameaçadoras
  • sair de perto ou ir embora do cônjuge ou parceiro(a)
  • gritando e gritando

No final da crise leve continua , o adulto em colapso pode simplesmente dizer algumas coisas que são excessivamente crítico e desrespeitosa, assim finalmente destrói  o relacionamento com a outra parte em muitos casos. No extremo mais extremo do continuum, o adulto em colapso pode atacar os outros e suas posses, causando lesões corporais e danos materiais. Em ambos os exemplos, o adulto muitas vezes mais tarde sente arrependimento, remorso ou constrangimento. Colapsos, geralmente com duração de 5 a 20 minutos, podem ocorrem agrupas ou ser separados por semanas ou meses em que o adulto Aspergers mantém sua compostura. Episódios Colapsos (Meltdown) podem ser precedido ou acompanhado de:
  • Aperto no peito
  • Dor de cabeça ou uma sensação de pressão na cabeça
  • Aumento da energia
  • Irritabilidade
  • Taquicardia
  • Paranóia
  • Raiva
  • Formigamento
  • Tremores

Uma série de fatores aumentam a probabilidade de experimentarem um colapso:
  • Uma história de abuso físico ou bullying: "Aspies" que sofrem  abusados como Bullying quando crianças têm um risco aumentado para desastres frequentes, como adultos.
  • Uma história de abuso de substâncias: Aspies que abusam de drogas ou álcool têm um risco aumentado para desastres frequentes.
  • Idade: colapsos (Meltdowns) são mais comuns em Aspies no final da adolescência para os 20 anos de idade.
  • Ser do sexo masculino: os homens Aspergers são muito mais propensos a crise do que as mulheres.
  • Ter outro problema de saúde mental: Aspies com outras doenças mentais(Comorbidades) (por exemplo, depressão, transtornos de ansiedade) são mais propensos a ter colapsos.

A crise não é sempre dirigida a outros. Aspergers adultos que sofrem colapsos também estão em risco significativamente aumentado de ferir a si mesma, ou com lesões intencionais ou tentativas de suicídio. Aqueles que também são viciados em drogas ou álcool têm um maior risco de se machucar. 

Adultos Aspergers que sofrem colapsos são muitas vezes percebidos pelos outros como "estam sempre zangado." Outras complicações podem incluir a perda do emprego, suspensão escolar, divórcio, acidentes de automóveis, e mesmo encarceramento. 
 Se você está preocupado porque você está tendo colapsos repetidos, fale com o seu médico ou fazer uma entrevista com alguém que se especializa no tratamento de adultos no espectro (por exemplo, um psiquiatra, psicólogo, assistente social, etc.) Aqui esta como se preparar para uma consulta com um profissional:

Faça uma lista de todos os medicamentos, bem como quaisquer vitaminas ou suplementos que você está tomando.
  1. Anote quaisquer sintomas que você está enfrentando, incluindo qualquer que podem parecer sem relação com a razão pela qual você agendou a nomeação.
  2. Anote informações pessoais importantes, incluindo quaisquer grandes tensões ou mudanças recentes na sua vida.
  3. Anote perguntas que deseja  fazer ao seu médico. Preparar uma lista de perguntas pode ajudá-lo certifique-se de cobrir tudo o que é importante para você. 
  4. Não hesite em fazer perguntas durante a sua consulta a qualquer momento que você não entende algo.

Não há um tratamento que é melhor para Aspergers adultos que sofrem colapsos. O tratamento geralmente inclui medicação e terapia individual ou em grupo. Sessões de terapia individual ou em grupo pode ser muito útil. Um tipo comumente usado de terapia, terapia comportamental cognitiva, ajuda adultos Aspergers identificar quais situações ou comportamentos podem desencadear um colapso. Além disso, este tipo de terapia ensina Aspies como gerenciar sua raiva e controlar sua resposta tipicamente inadequada usando técnicas de relaxamento. A terapia cognitivo-comportamental, que combina a reestruturação cognitiva, treinamento de habilidades e treinamento de relaxamento tem os resultados mais promissores.

Infelizmente, muitos adultos que sofrem colapsos Aspergers não procuram tratamento.Se você está envolvido em um relacionamento com um Aspie, é importante que você tome medidas para proteger a si e seus filhos. Qualquer abuso emocional e / ou físico que pode estar ocorrendo não é culpa sua. Se você ver que a situação é crescente, e você suspeita que seu parceiro pode estar à beira de um colapso, tente remover-se com segurança a si mesmo e seus filhos da área. 

Créditos: Viver com Aspergers: Ajuda para Casais

Como falar com o autista sobre desejos sexuais?

À FLOR DA PELE

Portadores do transtorno possuem as mesmas necessidades que qualquer outra pessoa quando o assunto é sexualidade.

A puberdade, sem duvida, pode ser considerada como um dos principais momentos da vida de um individuo. Nesta fase, dentre as principais alterações, está o aumento do desejo sexual, provocado devido ás variações apresentadas em diversas partes, como o sistema hormonal. Contudo, falar de sexualidade não é apenas discutir sobre o ato sexual em si; na verdade, devem ser levadas em consideração diversas outras ações e pensamentos que estão envolvidos nesta temática.
Tocar neste assunto com os filhos pode ser uma tarefa difícil para alguns pais. Há um certo receio e uma cautela, até certo ponto, exagerada, ao se abordar questões como orientação sexual, masturbação, desejos....Mas esse contexto não é inerente a todos os seres humanos? Com exceção àqueles que possuem alguma disfunção que afeta diretamente a capacidade, é claro. Por que, então, não esclarecer dúvidas e orientar quem está desbravando e conhecendo esse novo mundo?
A tarefa de dialogar a respeito do universo sexual se apresenta como um tabu ou, para alguns, aparenta ser um "monstro de sete cabeças", que deve ser afastado de seus descendentes. Se com filhos que não apresentam nenhum tipo de transtorno já parece tão complicado, como agir quando há a presença do autismo?
A psicóloga Marcia Stanzione orienta aguardar o filho demonstrar alguns sinais e, a partir disso, realizar uma abordagem de maneira responsável. "Respeitar a idade cronológica é importante no que diz respeito à forma como aborda-se o tema, isto significa que é importante aguardar as perguntas curiosas, pois são elas que darão o tom da conversa", comenta.
Além disso, Marcia aponta que, se a criança apresentar certa dificuldade em falar sobre o tema, os pais precisam assumir o papel de orientador para que possam tranquiliza-la, conquistar sua confiança e facilitar a comunicação, tornando o momento em um diálogo saudável.

ELES TÊM UMA SENSIBILIDADE SEXUAL MAIOR?

Seria um equívoco afirmar que os estímulos se apresentam em autistas da mesma maneira que se manifestam em pessoas que não sofrem desse transtorno - apesar de essa capacidade também fazer parte da natureza deles.
A diferença pode ser explicada por meio das características relacionadas ao sistema sensorial, que, nos casos dos portadores desse distúrbio, são diferentes das demais pessoas. "Esse sistema é responsável por realizar a interação dos estímulos ambientais e sociais com o organismo, fazendo-o responder e se comportar de diversas formas. Sendo assim, os indivíduos desse espectro possuem a diferenciação neste quesito, desde a percepção dos estímulos e nos comportamentos de resposta até no grau de sensibilidade dos sentidos", explica Lucas Castanho Xavier, psicólogo da (AFAPAB).
Lucas relata que não é possível prever como isso se dará, já que cada pessoa demonstra-se de maneira individualizada, ou seja, os traços são totalmente subjetivos e particulares. Por isso, deve haver uma cautela na aproximação e na orientação nessas situações.

COMO FALAR COM O AUTISTA SOBRE DESEJOS SEXUAIS?

Os estímulos recebidos e demonstrados pelos autistas em relação a sexualidade soa totalmente particulares. Nesse contexto, pode haver preconceitos por parte de outras pessoas, conforme explica a psiquiatra Gabriela Stump. "A libido surge e, às vezes, tendem a taxar os autistas como hipersexualizados por não esperarem que haja exteriorização deste desejo", completa.
Em certos casos, as manifestações podem ocorrer inesperadamente em lugares ou com a intensidade inadequados. Por isso, algumas atitudes se fazem necessárias para lidar com esse tipo de situação.

1 - explique claramente e de maneira aberta sobre os indícios da sexualidade.
2 - converse sobre o assunto, tocando em variados pontos, como masturbação, gravidez e doenças sexualmente transmissíveis.
3 - ensine com paciência como agir nessas ocasiões (por exemplo, alguns podem se masturbar em locais inapropriados, então, procura-se orientar que esse ato deve ser realizado em local privado).
4- busque ajuda de profissionais capacitados, como os terapeutas. Dessa forma, tanto a pessoa quanto a família serão melhor orientados sobre o processo.

Fonte:

Revista Ler&Saber Especial. Autismo. Ano 2, nº 3 (2015). Páginas 34 e 35. Disponível em https://www.facebook.com/SindromedeAspergerAUTISMO/photos/a.1159278880757152.1073741934.765583180126726/1046852015333173/?type=3&theater (acesso em 19 de novembro de 2016)

Autismo, homossexualidade e religião – uma conciliação

Fonte: GC&Cie.com
Neste texto, pretendo discutir temas como a minha espiritualidade, minha relação com o divino e como tudo isso se relaciona com a questão da homossexualidade e do autismo. Bem, em primeiro lugar, gostaria de dizer que a minha intenção neste post não é discutir religião de uma maneira geral, e sim comentar a relação autismo, homossexualidade e religião, apenas isso. Não quero comparar uma religião com a outra ou vir com o argumento de que a religião faz mais mal do que bem às pessoas – ou o contrário.

“Homossexual e cristão? Como assim?”, “Você vive em contradição!”, “Aos olhos da Bíblia e da Tradição, você está errado”... Essas são algumas frases que escuto ou leio quando digo que sou homossexual e cristão. Tanto de pessoas religiosas e – principalmente – de pessoas não (muito) religiosas (!!!). Quando resolvi assumir uma postura religiosa, alguns conhecidos ficaram surpresos. Afinal, nunca fui muito fã de religião; minha postura era de indiferença.

Nasci e cresci numa família não religiosa. Meus pais tiveram um casamento religioso por pressão da minha avó, que era a única pessoa devota. Alguns tios tinham alguma ligação cultural com os ritos católicos, onde batizavam seus filhos e filhas, mas depois sumiam e ficavam anos sem pisar numa igreja ou templo. Algo basicamente “étnico”, sem nenhuma ligação com o espiritual ou sagrado. E eu cresci assim e achava muita graça quando os meus colegas de classe e vizinhos iam ao “catecismo” ou à “escola dominical”. Não via sentido em perder meu (precioso) fim de semana e lazer, em que eu podia ser livre e brincar no quintal da minha casa. 

A religião entrou na minha família após a morte do meu irmão mais novo. Tínhamos muitas características em comum (ele também não era verbal), e ainda havia adquirido poliomielite e teve seus movimentos afetados. Minha mãe e meu pai dedicaram muito de suas vidas e finanças para dar um pouco de dignidade a ele. Ele faleceu devido a problemas agravados pela sua doença. Meus pais ficaram muito tristes. Foi aí que minha mãe buscou conforto na religiosidade popular tão característica do interior do meu estado. Ela procurava auxílio nas benzedeiras para aguentar a vida e educar seus filhos. Eu ganhei a alcunha de “anjo da guarda” por uma dessas senhoras, pois estava sempre com a minha mãe e necessitava de seus auxílios.  Minha mãe também procurou alguma ajuda num grupo de católicos carismáticos, uma ramificação dentro da Igreja Católica que se assemelha muito ao pentecostalismo. Eu estranhava, porque nunca íamos às igrejas ou templos e depois começamos a ir com frequência. Mas eu gostava, porque tinha a parte dos lanches e brinquedos  e eu adorava. Mesmo assim, esse entusiasmo abrandou-se muito e deu lugar ao catolicismo “cultural” de boa parte dos brasileiros.

Confesso que é difícil ser imparcial quando tratamos de assuntos polêmicos como a religiosidade. Somos tomados pela paixão e tendemos a impor nossa visão no debate. Na minha convivência (virtual e real) com pessoas no espectro do autismo, percebo que muitos não são religiosos ou espirituais, uma vez que as crenças e os dogmas parecem ilógicos muitas vezes. Conceitos como Deus e a transcendência são abstratos. As crenças são marcadas por sentimentos de um relacionamento pessoal com o divino e o sagrado. Realmente é um tema difícil a ser compreendido.

Deveras, muita coisa vinda do mundo religioso deixa-me incomodado. Por exemplo, a ideia de que Deus castiga as pessoas. Muitas religiões ou doutrinas religiosas tratam a deficiência (física e/ou mental) como uma espécie de castigo imposto por Deus às pessoas ou à suas famílias. Isso quando não tratam “surtos psicóticos” e “colapsos mentais” como “possessão demoníaca”. Há ainda aqueles que tratam o autismo, a esquizofrenia e outras “deformidades” como uma espécie de punição dada à pessoa, pelo aquilo que é chamado de carma. Eu não concordo com isso. Isso contraria a ideia de um Deus justo e misericordioso.

Muitas vezes questionei o “mal que eu fiz” para merecer o autismo e o mal que sofri. Muitas vezes “enxotei” Deus da minha vida. Mas consigo ter uma clareza melhor. O autismo é uma característica minha, assim como a minha tonalidade de pele, a cor dos meus olhos, entre tantas outras coisas. A razão para a existência do mal no mundo não é culpa de Deus, mas encontra-se no próprio ser humano, que deseja o bem, mas não o pratica, dando lugar ao mal em nossas vidas.

"Eu sei que o bem não mora em mim, isto é, na minha carne. Pois o querer o bem está ao meu alcance, não porém o praticá-lo. Com efeito, não faço o bem que eu quero, mas pratico o mal que não quero". Romanos 7,18-19

Somos responsáveis individualmente pelo todo. Qualquer ação individual exerce efeito sobre os demais. Foi aí que aprendi que não adianta culpar Deus pelos meus problemas e pelos problemas dos outros. Ele criou-nos livres. O que devemos fazer é promover o bem e evitar o mal. Contribuir para a paz e a justiça, transformar inimigos em amigos, amar o próximo como a nós mesmos. Aprendi isso tudo quando me matriculei num curso de catequese para adultos (sou cristão católico). Para mim, a minha igreja é o lugar onde sou apoiado e apoio os outros – embora seja o ideal, nem sempre é a realidade. É o local onde vivo minha espiritualidade e tenho minha relação com Deus. É onde tento permanecer nos caminhos de Jesus, que continuam atuais e revolucionários. Um dos maiores ensinamentos do Nazareno é a inclusão. Que não importa quem somos, que Ele sempre nos amará e que somos belos aos olhos de Deus.

E a questão da homossexualidade?

Não tenho muito que falar. É fato que tanto na Bíblia quanto na tradição cristã a homossexualidade não foi [é] bem vista. Como o principal “fim” da união sexual é a geração de filhos, qualquer tipo de sexualidade fora desse objetivo era considerado “desviante”, o que pode ser explicado [1]. Mesmo assim, a Igreja tem dado alguns passos quanto ao respeito pela pessoa, conforme ensina o Catecismo da Igreja Católica:

A homossexualidade designa as relações entre homens ou mulheres, que experimentam uma atracção sexual exclusiva ou predominante para pessoas do mesmo sexo. Tem-se revestido de formas muito variadas, através dos séculos e das culturas. A sua génese psíquica continua em grande parte por explicar. [...] Um número considerável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente radicadas. [...] Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á, em relação a eles, qualquer sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar na sua vida a vontade de Deus e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar devido à sua condição.

Sim, a Igreja convida as pessoas homossexuais à castidade. Esse é um ponto complexo, uma vez que as relações homoafetivas podem envolver atividades sexuais. Eu já discuti vagamente um pouco sobre a questão da sexualidade entre homens homossexuais. A Igreja, enquanto instituição, é formada por pessoas que ficam sujeitas ao desconhecimento e a erros. Tanto as relações heterossexuais quanto as homossexuais podem ser ligações duradouras de dedicação e amor. Eu encaro que todo amor vivido de forma responsável e com o devido respeito à dignidade do(a) parceiro(a) como válido. Toda sexualidade é um dom de Deus e deve ser comemorada com dignidade. Penso que as Igrejas – e as religiões em geral – precisam estar mais sensíveis a essas questões, sem ater-se a bandeiras e partidarismos.

Mesmo com algumas pequenas discordâncias, sou feliz por frequentar uma comunidade religiosa. Ser um homem religioso neste século é um desafio, mas também é gratificante. Vivemos em um mundo plural, com diversas religiosidades. Compreendo que cada pessoa tem sua história e experiências e tenho profundo respeito por cada escolha. Mesmo que seja cristão, sei que não tenho o monopólio de Deus, da verdade e da bondade. Uma das maiores contribuições da fé cristã é que, independentemente de quem quer que seja, todas as pessoas são igualmente preciosas aos olhos de Deus e que a tarefa que temos é valorizar e amar ao próximo.

Para finalizar...

Este assunto não se encerra aqui. Pretendo discuti-lo com mais adiante e relatar mais experiências. Apenas gostaria que soubessem que, quando penso em Deus, penso nEle como um Pai amoroso. Não consigo pensar em Deus como um sujeito mau, que castiga e faz as pessoas sofrerem pelos erros de seus pais ou seja lá o que for.

E, confesso, não gosto muito do termo “autismo”. Acho-o limitador. Todos nós, de alguma forma, temos nossas limitações. Uma pessoa “normal” também nasce com uma série de deficiências, que não chamam tanto a nossa atenção por não serem explícitas visualmente. São limitações internas ou relativas ao ambiente social e familiar, porém não menos dramáticas. Assim como todos nós somos imperfeitos, também todos nós somos imensamente abençoados. E é aí que reside a diversidade. Temos motivos de sobra para ter esperanças e sorrir!

[1] Eu tenho uma teoria – que na prática é puro achismo mesmo – que a proibição da homossexualidade entre os povos do Oriente Médio – hebreus incluídos – precisa ser contextualizada. Numa época em que a taxa de mortalidade era alta e catástrofes, doenças e epidemias dizimavam povos inteiros, é compreensível que as sexualidades não reprodutivas fossem proibidas ou desestimuladas. Além do mais, as declarações condenatórias do apóstolo Paulo de Tarso não podem ser entendidas literalmente, uma vez que sua preocupação era distinguir o máximo o cristianismo primitivo das religiões e costumes greco-romanos, onde a prática da pederastia era estimulada. 


Fontes:

A Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2013. 

Catecismo da Igreja Católica. Parágrafos 2196-2557. Disponível em http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p3s2cap2_2196-2557_po.html (acesso em 30/08/2015)

Dia dos namorados, autismo e sexualidade

No dia doze de junho celebra-se o dia dos namorados no nosso país. O motivo de comemorarmos tal festividade neste dia é que esta data é anterior à celebração de Santo António de Lisboa (também conhecido como Santo António de Pádua), conhecido como um santo casamenteiro pela religiosidade popular. É nessa época em que muitas mulheres solteiras realizam as famosas “simpatias” para encontrar um bom marido ou namorado. Óbvio que todos os dias podem – e devem – ser utilizados para celebrar o amor e o carinho. E as pessoas autistas não podem ficar fora.

Todas as pessoas deveriam ter direito ao amor e a uma sexualidade saudável. Ainda é um tabu que autistas possam vivenciar essas coisas. Não é raro que muitas mães e pais de crianças e adolescentes com autismo mostrem-se preocupados com a sexualidade de seus filhos, principalmente no que se refere à falta de informação e como abordar o tema. Para boa parte da sociedade, pessoas autistas são seres extremamente limitados, que não têm sentimentos, que não conseguem demonstrar afeto. Historicamente, pessoas autistas já foram submetidas a muitas condições ruins, com uma vida sexual restringida ou nula. 

No artigo 23 da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência está escrito o seguinte:

Os Estados Partes tomam todas as medidas apropriadas e efectivas para eliminar a discriminação contra pessoas com deficiência em todas as questões relacionadas com o casamento, família, paternidade e relações pessoais, em condições de igualdade com as demais, de modo a assegurar:
a) O reconhecimento do direito de todas as pessoas com deficiência, que estão em idade núbil, em contraírem matrimónio e a constituírem família com base no livre e total consentimento dos futuros cônjuges;
b) O reconhecimento dos direitos das pessoas com deficiência a decidirem livre e responsavelmente sobre o número de filhos e o espaçamento dos seus nascimentos, bem como o acesso a informação apropriada à idade, educação em matéria de procriação e planeamento familiar e a disponibilização dos meios necessários para lhes permitirem exercer estes direitos;
c) As pessoas com deficiência, incluindo crianças, mantêm a sua fertilidade em condições de igualdade com os outros.

De forma que, no dia dos namorados, devemos olhar com alguma atenção e carinho pelas pessoas com autismo e compreender que elas também têm todo o direito a esse amor mútuo (caso desejem) e serem capazes de expressar seu amor pelos outros, inclusive no que se refere à sexualidade. Caso você tenha algum parente ou amigo com autismo, você deve levar isso em consideração. Também demonstre seu amor sincero a essas pessoas, entenda suas limitações, seja aquele que possa compreendê-lo(a). Afinal, o amor deve estar presente os 365 dias do ano; todos os dias de nossas vidas são importantes para a celebração do amor. 

Referências

NAÇÕES UNIDAS. Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. http://www.inr.pt/content/1/1187/convencao-sobre-os-direitos-das-pessoas-com-deficiencia (acesso em 8 de junho de 2015)

SUAPESQUISA.COM. Dia dos Namorados. Disponível em http://www.suapesquisa.com/datascomemorativas/dia_dos_namorados.htm (acesso em 8 de junho de 2015)

25 exemplos de linguagem corporal

Dizem que uma imagem vale mais do que mil palavras – e certamente o mesmo pode ser dito sobre gestos. Todos nós inconscientemente damos sugestões a respeito dos nossos verdadeiros sentimentos através de nossos movimentos e gestos. Esta é uma lista de vinte e cinco exemplos de linguagem corporal.


Gestos 1 – 5

Gesto: Movimentação rápida, andar ereto
Significado: Confiança 

Gesto: Com as mãos sobre os quadris
Significado: Prontidão, agressividade 

Gesto: Sentar-se com as pernas cruzadas, a balançar o pé lentamente
Significado: Tédio

Gesto: Sentando(a), pernas abertas
Significado: Abertura, relaxado(a)

Gesto: Braços cruzados sobre o peito
Significado: Defensivo(a)


Gestos 6 – 10

Gesto: Andar com as mãos nos bolsos, ombros curvados
Significado: Desânimo

Gesto: Mão nas bochechas
Significado: Avaliação, pensativo(a)

Gesto: Tocar, esfregar ligeiramente o nariz
Significado: Rejeição, dúvida, mentira 

Gesto: Esfregar os olhos
Significado: Dúvida, desconfiança

Gesto: Mãos entrelaçadas nas costas
Significado: Raiva, frustração, apreensão


Gesto 11 – 15

Gesto: Tornozelos fechados
Significado: Apreensão 

Gesto: Cabeça apoiada na mão, olhar para baixo
Significado: Tédio (aborrecimento)

Gesto: Esfregar as mãos
Significado: Antecipação

Gesto: Sentar-se com as mãos entrelaçadas atrás da cabeça, pernas cruzadas
Significado: Autoconfiança, superioridade 

Gesto: Palma da mão aberta
Significado: Sinceridade, abertura, inocência 


Gesto 16 – 20

Gesto: Esfregar a ponta do nariz, olhos cerrados
Significado: Avaliação negativa

Gesto: Rufar ou bater repetidas vezes os dedos
Significado: Impaciência

Gesto: Estalar os dedos
Significado: Autoritarismo

Gesto: Acariciar o cabelo
Significado: Falta de autoconfiança; insegurança 

Gesto: Cabeça rapidamente inclinada
Significado: Interesse


Gesto 21 – 25

Gesto: Acariciar/coçar o queixo
Significado: Tentativa de tomar uma decisão

Gesto: Olhar para baixo, rosto virado
Significado: Desconfiança

Gesto: Roer as unhas
Significado: Insegurança, nervosismo

Gesto: Puxar ou coçar a orelha
Significado: Indecisão

Gesto: Cabeça inclinada por muito tempo
Significado: Tédio


***

LISTVERSE STAFF. 25 Examples of Body Language. http://listverse.com/2007/11/08/25-examples-of-body-language/ (acesso em 3 de maio de 2015)

Como é a vida de um adulto com autismo?

Pouco se tem investigado sobre o
autismo na idade adulta.
Créditos: La Opinión
Pouco se sabe sobre essa condição após os 50 anos, mas é possível que um adulto com autismo seja autônomo

Por: Laura Hijosa Torices [1]

Como ocorre a todas as pessoas, nós crescemos e tornamo-nos mais velhos, [e] nossos pais se pegam a fazer perguntas usuais: "Nosso filho(a) estudará numa Universidade?”, “Qual será o seu trabalho?”, “Terá problemas de saúde?”...

Estas mesmas preocupações também surgem nas famílias de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Podemos, então, oferecer algumas respostas e como os pais podem preparar seus filhos a novas experiências e estágios de suas vidas.

Em primeiro lugar é fato que, por enquanto, são escassas as pesquisas sobre a evolução e na vida adulta de pessoas com autismo, especialmente a partir dos cinquenta anos de idade; muitas dessas investigações têm baixa confiabilidade.

Além disso, e sempre quando falamos desse transtorno, é necessário esclarecer que o desenvolvimento e a evolução de cada pessoa é diferente, que não podemos resolvê-lo de uma maneira geral e, portanto, também é necessário ver cada caso em particular.

Por esta razão, a primeira recomendação é que cada família busque aconselhamento de maneira pessoal, através dos profissionais que trabalham com o seu filho(a) e a quem  o conhecem diretamente. No entanto, algumas considerações podem ser apontadas, entre as quais:

  • Pessoas que apresentam um nível cognitivo mais elevado e que não têm outro tipo de patologia associada é mais provável que elas consigam alcançar uma vida adulta normalizada e autônoma, com trabalho, família e até mesmo filhos(as). Neste sentido, existem estudos que datam de 2009, segundo os quais existe 43% das pessoas com TEA que, naquele momento, estavam a trabalhar ou a estudar.
  • Pesquisas mais recentes revelam que os indivíduos com autismo de alta funcionalidade são mais propensos ao surgimento de outras comorbidades como depressão e ansiedade, que surgem durante a transição para a idade adulta. Portanto, a fim de evitar ou atenuar tais doenças é adequado para realizar exames de ordem psicológica que forneçam ferramentas para superar os desafios que surgem em suas vidas diárias, principalmente relacionadas aos aspectos sociais.

Em contrapartida, em pessoas com autismo mais grave, encontraremos diferentes graus de dependência e com variadas necessidades. Alguns dados indicam que 48% vivem na casa da família e 50% não participam de qualquer programa educacional ou de promoção de emprego.

Finalmente, em nível de pesquisas em saúde, ainda que haja uma elevada percentagem de deficiência intelectual associada, expressam que na atualidade são mais frequentes os transtornos de conduta, a apontar que aproximadamente 50% das pessoas com autismo apresenta tais problemas em algum momento de suas vidas.

Além disso, 40% [dessas pessoas] apresenta patologia orgânica detectada como, por exemplo, infecções, otite média, distúrbios visuais, alterações hormonais (algumas mulheres com autismo têm uma tensão pré-menstrual muito acentuada), patologia digestiva (alterações do ritmo intestinal, diarreia, constipação intestinal etc) distúrbio alimentares, do sono, problemas dermatológicos, TDAH, epilepsia etc.

Primeiro de tudo isto é evidente a necessidade de um maior número de estudos, de formação profissional especializada, bem como um aumento dos recursos para atender a essa população que, como nós, envelhece.

[1] Psicóloga, Federación Autismo Madrid. Colaboração de Fundación Teletón.

***

TORICES, Laura Hijosa. ¿Cómo es la vida de un adulto con autismo? Disponível em http://www.laopinion.com/como-es-vida-adulto-con-autismo (acesso em 21 de março de 2015)

A expressão da sexualidade das pessoas com autismo

Créditos: incluyeTIC
Por Marina da Silveira Rodrigues Almeida [1]

O homem é a única criatura que se recusa a ser o que ela é”. Albert Camus

A pessoa com Autismo tem necessidade de expressar seus sentimentos de modo próprio e único, como qualquer pessoa, por isso neste artigo vamos conversar um pouco sobre os mitos e realidades em torno da sexualidade destas pessoas.

A repressão da sexualidade é usualmente encontrada e entendida nestes grupos, como conseqüência de um desequilíbrio interno, dos afetos, dos comportamentos, da maneira de se relacionar no mundo, diminuindo assim as possibilidades de se tornarem seres psiquicamente saudáveis.

Observamos nos casos em que a sexualidade é bem encaminhada na vida destas pessoas: melhora o seu desenvolvimento afetivo, transcurso da puberdade/adolescência/vida adulta mais tranqüila e feliz, facilita a capacidade de se relacionar, melhora a auto-estima, permite a construção da identidade adulta e a adequação à sociedade.

O tema sexualidade em nossa cultura vem sempre acompanhado de preconceitos e discriminações, e talvez sempre permaneça assim, pois pertence a ordem dos tabus, das questões inerentes a  origem do ser humano.

Notamos que a sobrecarga de valores morais e preconceitos aumentam quando o tema passa a ser sexualidade da pessoa autista, geram polêmica quanto às diferentes formas de abordá-lo, isto acontece na sociedade, na família, com os pais e na escola.

Destacamos que pouco se tem escrito na literatura, há poucos artigos, livros e referências sobre a pessoa autista e sua sexualidade, visto a complexidade desta discussão a dificuldades em vê-los como pessoas como uma identidade sexual, humana e com desejos; em contrapartida  os materiais publicados referente a pessoa com autismo, via de regra encontramos as orientações baseadas nas abordagens de extinção do comportamento sexual, através de métodos e técnicas aversivas. Pouco se tem escrito numa abordagem humanística sobre o protagonismo juvenil.

A palavra Autismo vem do grego “autos”, que significa si mesmo. Refere-se a alguém que está retraído em si mesmo, porém isto se aplica a crianças autistas de pouca idade. A medida que elas crescem, podem tornarem-se mais sociáveis ou não. Junto a esse retraimento, estão os problemas e condutas específicas de cada criança em seu intento de encontrar ou criar uma ordem no mundo caótico que ela não consegue entender.

“Autismo é um transtorno de desenvolvimento. Não pode ser definida simplesmente como uma forma de deficiência intelectual embora muitos quadros de autismo apresentem QI abaixo da média.  A palavra autismo atualmente pode ser associada a diversas síndromes. Os sintomas variam amplamente, o que explica por que atualmente refere-se ao autismo como um espectro de transtornos; o autismo manifesta-se de diferentes formas, variando do mais alto ao mais leve comprometimento, e dentro desse espectro o transtorno, que pode ser diagnosticado como autismo, pode também receber diversos outros nomes, concomitantemente. Os atuais critérios de diagnóstico do autismo estão formalizados na norma DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico da Associação Americana de Psiquiatria). Um esquema de diagnóstico parecido é encontrado na CID10 (Classificação Internacional de Doenças), publicado pela Organização Mundial de Saúde.  A síndrome autista foi definida como "isolamentos e recusa profunda de contato com as pessoas, desejo obsessivo de manter a mesma uniformidade, relação afetuosa e habilidosa com objetos, fisionomia inteligente e mutismo ou, pelo menos, um tipo de linguagem que não parece destinada à comunicação interpessoal", por Leo Kanner, psiquiatra americano, em 1943.  Segundo a ASA (Autism Society of America), autismo é um distúrbio do desenvolvimento permanente e severamente incapacitante. Normalmente aparece durante os três primeiros anos de vida.  No momento, entretanto, não há exames de sangue ou de cromossomos para o autismo: o diagnóstico é comportamental e feito com base nos três eixos: interação social, comunicação e imaginação, e na presença de um repertório restrito de interesses. (American Psychiatric Association, 1987).

Por mais que educadores, profissionais, pais e demais pessoas envolvidas lembrem que a sexualidade é uma função natural, existem em todos os indivíduos toda dificuldade em tratar do assunto de maneira prática, porque teoria esta vastamente publicada explicada, nomeada, por diversos autores de maneira pertinente e fundamentada.

A questão então não é mais teorizar, explicar, como uma regrinha de jogo, ou pertinente ao campo científico, da psiquiatria, da psicanálise, da abordagem cognitiva comportamentalista, da psicologia do desenvolvimento, etc.

Pensar e falar sobre o tema sexualidade envolve nossa angústia, reporta-nos a nossas instâncias do que acreditados ser sexo, na nossa vida, na relação com o outro, sobre nossos desejos, fantasias, repressões, mitos e realidades. Propomos estas questões para pensar: Como lidamos com sexo? O que fazemos? Como nos relacionamos afetivamente? Criativamente? Com as demais pessoas?  .

A partir do momento que pudermos pensar em sexualidade relacionada a afetos, relacionamentos afetivos e não mais puramente da esfera dos genitais, conseguiremos intervir criativamente nas situações, sem tantos sobressaltos, medos, reservas, preconceitos, autoritarismos, castigos.

Nos últimas décadas a melhora dos cuidados de saúde concomitante aos avanços científicos e da medicina, como por exemplo, às intervenções precoces na gravidez, cuidados pré-natais, pós-parto, vacinas e a qualidade de vida social, as pessoas com deficiência ganharam longevidade, sua expectativa de vida melhorou qualitativamente, estão aí os adolescentes, os adultos, e muitos com certeza caminharão para a senilidade.

Falar sobre sexo não é dar uma aula de Biologia da Reprodução Humana. Por isso a importância do trabalho em conjunto, dos professores unirem-se para estudar, discutir seus casos, discutir com os pais e a família.

Todos possuem um nível de compreensão, mesmo apresentando resistências. A resistência muitas vezes é de cunho religioso ou por falta de informações adequadas.

A maior parte dos indivíduos portadores de TID (transtorno invasivos do desenvolvimento) apresentam um desenvolvimento biológico normal da sexualidade. Entretanto, no desenvolvimento psicológico ocorre uma série de alterações que se manifestam na conduta e podem variar de  intensidade e freqüência, dependendo do grau de distúrbio e do nível intelectual. Em alguns deles predomina a necessidade de satisfação imediata dos próprios impulsos. Segundo Haracopos e Pederson (1989), em outros casos, a capacidade de conter os impulsos sexuais e agressivos é rudimentar, havendo pouca ou nenhuma autocrítica. Pode ocorrer também uma distorção da percepção da realidade, bem como capacidade limitada ou ausente de fantasiar ou imaginar, assim como ansiedade ligada ao sentimento de excitação sexual, associações bizarras e pensamento concreto. Haracopos e Pederson (1989)

Limite de quem? Não entendemos que eles não tenham limites, talvez não saibam parar e quando podem ou não podem pegar em seus genitais. A questão da masturbação está no limite de onde pode, quando, intensidade e frequência. Eles estavam obtendo prazer, se entretendo com seus genitais, talvez até insistiu no comportamento por falta de algo melhor na realidade para investir, se ligar... Então esse é nosso gancho, é bom se ligar com gente, este é o nosso papel!

Não vimos ninguém se masturbando ou se exibindo com cara de coitadinho, aliás, estavam curtindo toda a situação, salvo exceções de alguns casos podem se machucar numa tentativa pouco organizada de tentarem prazer de maneira mais adequada.

Poderíamos ouvir no silêncio das falas destas pessoas como, algo assim:

“Tudo bem gosto de vocês, gosto da minha casa, da escola, então vou fazer o que me mandam,... Acho que isto que sinto é muito ruim, devo me submeter ao que vocês querem. Então vou tomar o remédio e ficarei quietinho. Não aborrecerei mais ninguém com minhas angustias de não saber também o que sinto, o que faço.
“Tudo isso está tão chato e desinteressante, meu corpo me dá um sensação boa quando eu mexo nele, é bom ficar assim desligado”.
“Achei que esta vontade louca de me masturbar fosse bom, estava aqui sozinho... estava muito bom”.
“Descobri que não posso ter prazer com meu corpo na escola! Por que será? Vou experimentar em outros lugares? Aonde será que pode?”.

Os mais valentes ou agressivos com a vida respondem com a subversão, não querem tomar a medicação, ficam hostis, conseguem expressar através de seus desmandos, desobediências que não é disto que precisam, não se submetem, podem dizer algo assim:

“Preciso continuar a fazer isso(...) estou falando do meu jeito, vocês é que não entendem, não consigo saber o que querem e o que sentem sobre isso que faço”...
“Estou crescendo e não sei o que fazer com este meu corpo novo, com estas mudanças, com meu crescimento, com estes desejos...”
“Fico muito atrapalhado com as mudanças em meu corpo, desejos, excitações, meu corpo modificou-se, eu não consigo compreender, fico muito desorganizado, com medo, assustado, ao mesmo tempo tudo é muito bom, é uma confusão na minha cabeça”.
“Não entendo direito porque me batem me ameaçam, ficam bravo comigo, tem algo que faço que não é para fazer, por que será?Por que as pessoas ficam assim quando pego no meu corpo?””

Para a família, a segregação do filho(a) com deficiência é uma forma de proteção para o próprio núcleo familiar que também tenta se poupar e evitando a exposição do filho(a). No entanto, isto acaba por dificultar as noções de regras sociais e de bom convívio, fora de seu ambiente escolar e familiar.

Para piorar, a pessoa com deficiência raramente tem privacidade, o que dificulta o entendimento do que é privado ou público: o quarto às vezes é mantido as portas abertas ou sendo proibido fechar a porta ou apagar a luz. Muitas vezes os pais, irmãos não batem na porta do quarto, invadem a dentro. Os banhos são supervisionados, impedem que possam ter contato com seu corpo, que possam notar suas modificações físicas, sobra pouco tempo para que eles possam desenvolver sentido de privacidade, de liberdade, de respeito, de contato corpóreo.

Além disso, a maioria das pessoas acredita que o deficiente não tem auto-percepção, precisam ser controlados, repreendidos, ameaçados, chantageados. Tanto a família como muitos profissionais tendem a impor condutas de comportamento, passando por cima dos seus sentimentos, não consideram que as pessoas com deficiência intelectual e autismo podem ter limitações intelectuais mas não têm limitações de seus sentimentos.

Vejamos as diferenças entre às singularidades das pessoas com  Autistas.

A pessoa com Autismo vai precisar de apoios para compreender o mundo a sua volta de forma a desenvolverem sua identidade como jovem e futuro adulto libertando-se do modelo infantilizado, de maneira concreta, firme, vivenciando a experiência através de teatros, escrevendo, desenhando, expressando-se artisticamente.

Para podermos manejar as expressões sexuais inadequadas, precisamos observar alguns aspectos, tais como: quando ocorrem, em que contexto, em que lugar, qual a freqüência, e principalmente tentar descobrir qual o estímulo (interno ou ambiental ) desencadeante da conduta em questão. A partir desses dados, estratégias podem ser cridas para tentar compreender, traduzir em linguagem verbal (escrita, gestual, simbólica etc.) evitar, modificar e adequar a expressão ou comportamento sexual.

A primeira das três categorias principais do TID é o Distúrbio da Interação Social. É evidente que dentro desta categoria encontramos numerosos sintomas, tais como: dificuldade em aceitar mudanças na rotina diária, muitos apresentam resistência ao contato físico, embora alguns possam tolerar algum contato dependendo do momento, de quem o toca e da intensidade e duração. Em outros casos, o individuo quer abraçar ou agarrar uma ou várias pessoas, de maneira invasiva e fora de contexto, geralmente sem percepção do sentimento alheio. A agressividade (chutes, mordidas, socos, tapas, beliscões, puxar os cabelos, cuspir, etc.) também pode ser um distúrbio social importante, que muitas vezes é causada por uma pequena frustração ligada a alguma atividade da vida cotidiana e, outras vezes ocorre sem uma causa aparente. Pode-se dizer que a impossibilidade de estabelecer empatia ou perceber os sentimentos alheios são alguns dos pontos marcantes da personalidade de muitos desses indivíduos. Em outras palavras, eles não conseguem se colocar no lugar de outra pessoa. A Habilidade de Imaginar o que se passa na mente do outro não faz parte do repertório social desses indivíduos (Frith,1989). Esta inabilidade afeta diretamente tanto a capacidade de perceberem os sentimentos, necessidades e desejos alheios, como também os seus próprios. De certa maneira isso afetará significativamente a possibilidade de compreenderem e respeitarem uma série de regras sociais. A Segunda categoria: Distúrbios da Comunicação. Todos sabemos que se não houvesse comunicação entre as pessoas não haveria possibilidade de organização social. Pois bem, praticamente todos os indivíduos portadores de TID apresentam distúrbios da comunicação, que podem variar desde um isolamento e mutismo absolutos até um desenvolvimento da comunicação muito próximo do normal, sendo que este último é uma ocorrência rara. Alguns indivíduos não se comunicam nem verbalmente nem através de gestos, parecem estar completamente indiferentes ao que acontece ao seu redor. Outros, apesar do mutismo, acabam apontando para as coisas que desejam, estabelecendo assim algum tipo de comunicação intencional (...). A terceira categoria: Estereotipias e Rituais. Estes comportamentos estereotipados e ritualizados podem ser: girar objetos, abanar as mãos, mexer os dedos das mãos ou o corpo de forma rítmica e estranha, andar na ponta dos pés, apego não apropriado a objetos, restrição da variedade de alimentos ingeridos. Também podem estar presentes risos imotivados ou descontextualizados, agressividade e destrutividade. De qualquer forma, essas condutas podem ser freqüentes ou intermitentes. (Transtorno Invasivos do Desenvolvimento- 3.milênio – Dr. Walter de Camargos Jr., 2005)

 As pessoas com Autismo precisam ser ajudadas na compreensão da interação social, adequando-se melhor as relações sociais, através de vivencias com figuras, pranchas com imagens, de maneira a ajudarem a construir sua identidade como jovem e futuro adulto sexual. Estas pessoas não são vistas como tal. A interação da comunicação precisa ser encorajada ou devermos abrir formas de comunicação alternativas para que possam expressar seus sentimentos e suas fantasias envolvendo seu corpo, suas experiências sensórias, perceptivas. O uso da criatividade precisa ser investido, num campo, artístico, musical, plástico, a fim de que possam expressar sua subjetividade concomitante as transformações da sua sexualidade.

Através destes contatos o confronto do ser adolescente encontrou vazão para expressão, e precisam ter o direito de vivenciarem, experimentarem e conhecerem as transformações físicas, afetivas e sociais que são pertinentes deste processo de juventude. E nós temos o dever de ajudá-los a desenvolver estas transformações de maneira adequada.

Ter que enfrentar a sexualidade dos filhos na época da adolescência já é um tabu, gerador de conflitos, impasses, medos para a maioria dos pais. Agora imaginem o quanto é  incrementado de fantasias e preconceitos quando se trata das preocupações de um filho com deficiência.

Os pais por medo de expor o adolescente a riscos físicos e emocionais optam eventualmente por negar, reprimir ou infantilizar a existência do crescimento do filho ou filha na puberdade, lutam para manter seus filhos assexuados. É uma luta perdida, pois não há como parar o crescimento de alguém, o que encontramos é que escapa por outra via, aparecendo a regressão de aptidões que a pessoa  havia adquirido, comportamentos auto ou hetero-agressivos, isolamento, tristeza, adoecimento psíquico, sofrimento.

Nas instituições escolares encontramos os profissionais, também se defendendo, acabam por criarem estigmas, rótulos como se as pessoas autistas fossem ora hiper-sexualizados ora assexuados.

No entanto, muitas instituições de ensino já começam a aceitar/pensar a importância de tal processo na vida do aluno.

O tema sexualidade vem sendo tratado com uma certa freqüência nas escolas, em contraste com a mentalidade do final do século passado, quando havia a visão do sexo como algo sujo e imoral (exceto quando para a procriação).

Os pais e professores da área de saúde e educação precisam lembrar que a vivência sexual das pessoas com deficiência favorece o desenvolvimento afetivo, a capacidade de estabelecer contatos interpessoais, fortalecendo a auto-estima o bem-estar, o amor-próprio, e a adequação à comunidade.

Para que os comportamentos e manifestações sexuais não se tornem problemáticos, existe a necessidade de investimentos na educação sexual; sempre com a participação dos pais e familiares, pois é através destes que há o desenvolvimento psico-emocional e a transmissão de valores para a aquisição de limites.

Os valores, princípios e regras sociais existem porque têm finalidade, nos ajudam a nos proteger e aos outros de situações de abusos e violências, situações constrangedoras e não éticas. Toda sociedade precisa para se organizar e se manter, de algum tipo de ordenação, de regras que possam colocar ordem na desordem. Isto implica em restringir, selecionar, e estabelecer critérios, além de dar valor e hierarquizar. Portanto, sempre encontraremos aquilo que acaba sendo considerado mais ou menos doentio, errado, impuro e anormal, dependendo do período histórico e do grupo social em que se está numa dada sociedade. O importante é pensar, refletir, questionar, conversar, indignar-se, para não incorporarmos passivamente tudo o que nos é apresentado! Isto implica em aprender a impor respeito aos nossos valores, mas saber respeitar os valores dos outros também.

Na escola a educação sexual, deve apresentar-se com disponibilidade do profissional, amor e ciência. Não adianta tratar o assunto como disciplina de conteúdo ou como algo que irá conter a sexualidade.

A orientação sexual para pessoas com deficiência, é um trabalho organizado com diversos objetivos: como por exemplo à prevenção de gravidez indesejada, transmissão de informações sobre sexualidade, o aumento da compreensão sobre o próprio corpo, a orientação sobre os códigos do comportamento sexual, a melhora do relacionamento com sua família e os profissionais, favorecendo o desenvolvimento da identidade.

O educador sexual deve guiar-se por atitudes éticas, não esquecendo de estar atento a suas concepções pessoais em face da sexualidade, verificando com precisão aquilo que a pessoa com deficiência intelectual ou autismo quer saber, interpretando aquilo os acontecimentos afetivos sobre sua perspectiva e não a pessoal, lidando com comportamentos inadequados através da colocação de limites claros e objetivos, através de acordos criados pelo profissional, aluno e ou grupo.

A higiene pessoal e os cuidados íntimos devem ser enfatizados, é uma forma de desenvolver a auto-imagem e auto-estima, desenvolvendo a capacidade de adequação social e o sentimento de posse do corpo.

Na adolescência os meninos com deficiência intelectual ou autismo precisam ser informados sobre a ejaculação e a polução noturna, orientando sobre os cuidados e limpeza. As meninas necessitam de orientação sobre como lidar com a menstruação e ambos precisam ser informados sobre as mudanças que estão ocorrendo com seus corpos.

Nos casos de impossibilidade funcional devido a problemas motores ou em razão à severidade do comprometimento cognitivo e ou afetivo os pais devem assumir tais cuidados, ou pedir que ao jovem os realize com supervisão constante.

A educação sexual deve ser incluída na educação geral, integradas à estimulação sensório-motora, intelectual e das capacidades adaptativas ao meio social, de modo natural. Os recursos pedagógicos poderão ser lúdicos, criativos e desportivos como, por exemplo, os jogos, a música, o esporte, a pintura, modelagem, de modo adequado à idade e ao nível de compreensão, são elementos integradores e interativos para trabalhar o corpo, crescimento, diferenças sexuais, rivalidades, atrações, etc...

É essencial enfatizar a importância do relacionamento afetivo dos pais e familiares, para um adequado desenvolvimento da sexualidade. A família nuclear representa o protótipo de todos os relacionamentos que a pessoa terá com os outros no decorrer de toda a vida, mas ainda para o portador de necessidades especiais que precisa ser aceito pelo seu núcleo familiar; mas na impossibilidade desta fazê-lo cabe a escola resgatar este papel oferecendo suporte dos valores integrativos, de auto-estima, confiança e esperança.

Tanto a pessoa com deficiência intelectual como autismo necessita de respostas coerentes às suas solicitações afetivo-sexuais, que favoreçam sua autoconfiança, sua auto-estima e seu senso de valor.

A ambiguidade no comportamento dos pais e profissionais frente à sexualidade do deficiente levam aos conflitos e atitudes incoerentes de ambas as partes, gerando frustração, dor e muita angústia. A ansiedade e falta de confiança no potencial afetivo-sexual das pessoas com deficiência intelectual e autismo, faz com que fiquemos agitados e irracionais quando temos de lidar com um problema, uma situação.

O que sabemos é que tanto as pessoas com deficiência intelectual e autismo sentem, desejam, sonham, sofrem, como qualquer ser humano, portanto nós é que precisamos libertar-nos dos nossos preconceitos frente à sexualidade humana e proporcionar uma vida com qualidade e respeito as singularidades individuais.

[1] Consultora em Educação Inclusiva. Psicóloga e Pedagoga Especialista. Instituto Inclusão Brasil (2008)

***

ALMEIDA, Marina da Silveira Rodrigues. A expressão da sexualidade das pessoas com autismo. Psicologia.pt - O Portal dos Psicólogos. Disponível em: http://www.psicologia.pt/artigos/ver_opiniao.php?codigo=AOP0154 (acesso em 1 de março de 2015)